Sem Bolsonaro, reunião de cúpula de países amazônicos anuncia “pacto” em Letícia

Seis dos nove países amazônicos reunidos na cidade colombiana de Letícia, fronteira com o Brasil e com o Peru, anunciaram nesta sexta-feira (6) uma declaração de preservação da Amazônia denominada "Pacto de Letícia pela Amazônia".

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Foto: https://id.presidencia.gov.co

O pacto é uma resposta de longo prazo a uma crise provocada pelos incêndios que devoram vidas, riquezas e o futuro do planeta. Ele pretende propor medidas e ações para um projeto regional de prevenção e de cooperação perante catástrofes ambientais na Amazônia.

Foto: Divulgação

“Da reunião presidencial, sairá uma declaração que vai dinamizar as ações concretas e um itinerário de atividades nacionais, regionais e globais em defesa da Amazônia”, antecipou o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, avançando que será uma convocação global para uma ação regional que unifique visões.

“Foi lançada uma grande convocação global para avançar nas ações regionais de conservação, de desenvolvimento tecnológico para a conservação, coordenação de ações para a preservação da Amazônia”, anunciou o chanceler colombiano, anfitrião do encontro.

Dos seis países presentes, quatro enviaram seus presidentes (Colômbia, Peru, Bolívia e Equador) enquanto o Suriname o seu vice-presidente, Michael Ashwin Adhin, e o Brasil está sendo representado pelo chanceler Ernesto Araújo.

Da região amazônica fazem parte ainda a Venezuela, a Guiana e a França, através do seu território ultramar na fronteira com o Brasil, a Guiana Francesa. Esses países, no entanto, não foram convidados.

Videoconferência

O presidente Jair Bolsonaro, ausente por questões de saúde, acompanha a reunião por videoconferência. O empenho de Bolsonaro em aparecer unido ao pacto, mesmo à distância e mesmo tendo o seu chanceler presente na reunião, explica-se pela pressão nacional e internacional sobre o presidente brasileiro.

Os demais líderes também precisam do compromisso de Bolsonaro não só porque o Brasil é responsável por 60% da Amazônia, mas porque a retórica bélica do brasileiro, em ataque a ONGs, tribos indígenas e governos estrangeiros, termina envolvendo toda a região.

Cético das alterações climáticas, o discurso de Bolsonaro a favor da exploração de minérios em áreas protegidas e sua hesitante política em matéria de fiscalização têm sido apontados pelos ambientalistas como combustível para as queimadas.

Bolsonaro, por sua vez, coloca em dúvida os reais motivos por trás dos interesses externos em preservar a Amazônia, indicando que usam a questão ambiental para se apoderarem, paulatinamente, das riquezas brasileiras. Esse choque de visões gerou um conflito diplomático com o presidente francês Emmanuel Macron, um crítico da forma como o brasileiro enfrenta a problemática dos incêndios que consomem a floresta.

Um esquema de segurança e logistica foi montado na capital do Amazonas Colombiano, Letícia, para receber todos os chefes de estado, cerca de 120 assessores e 80 jornalistas, além de oficiais militares.

Por: Portal Otambaqui via RFI.